domingo, 10 de maio de 2015

Procure ser ético, não moral.

     Olá pessoal, tudo bem? Faz muito tempo que o blog está parado, não é? Eu e Ashitaka, desde então, estamos passando por muitas coisas as quais não nos permitem focar nas postagens. É uma pena, pois deixamos de fazer aquilo que gostamos: escrever o que permite aos nossos leitores verem os três mundos. Ashitaka foi fazer uma viagem cujo objetivo é descobrir-se. Ele estava com alguns problemas e decidiu afastar-se um pouco do "mundo" a fim de encontrar algumas respostas para seus questionamentos. E eu; cursando economia. Acredito que nós estamos passando por um processo no qual poderemos, ao final, escrever com muito mais propriedade e confiança tudo aquilo que lhes permitem conhecer os três mundos.

     Uma coisa que andei pensando sobre o curso é que ele pode formar, majoritariamente, dois profissionais totalmente diferentes: o economista capitalista - aquele que vai atender às demandas das empresas das mais diversas formas ou vai aventurar-se em abrir seu próprio negócio (raro) - e o economista social - aquele que vai pensar no bem-estar geral da sociedade. Quem começa a entender essa ciência adquire conhecimentos excepcionalmente  importantes acerca de como qualquer (ou simplesmente algumas) operação(ões) envolvendo riqueza funciona(m), tais como o mercado financeiro, o funcionamento do sistema capitalista, as tendências de mercado, etc. O que quero dizer? Com esse poder em mãos você pode fazer duas coisas: primeiro, ajudar o capitalista (ou sê-lo) a atingir seu objetivo, o lucro, e, segundo, pensar (teoria) e agir (principalmente através da política, mas existem outros meios) de forma a garantir que o meio em que está atuando, seja o mais propício à otimização da produção e distribuição de riquezas e a consequente geração de bem estar geral da sociedade. Não pensem que eu estou dizendo que o primeiro é do mal e o segundo é do bem. Nada disso. Quem estuda economia sabe que sem o capitalista, na sociedade capitalista, seria muito mais difícil, ou até mesmo impossível, produzir as riquezas no nível que produzimos. Logo, os economistas capitalistas têm um papel notável em nossa economia. Ambos podem agir de forma benéfica ou maléfica para a sociedade. O que determina a virtude de cada um não é o caminho que tiveram que escolher quando encontraram essa bifurcação, e sim se agem eticamente ou não. Reforço, eticamente, não moralmente.  Portanto, acredito ser muito importante saber a definição desses dois termos, os quais causam muita confusão. Normalmente, achamos que são sinônimos, mas não é bem assim.

     Não sou nenhum filosofo para definir perfeitamente esses dois termos, mas, basicamente, é o seguinte: a palavra moral vem do latim "moralis", e significa "relativo às maneiras, aos costumes", ou seja, a moral remete às regras e costumes de uma sociedade.  Em contrapartida, ética vem do latim "éthos" e significa "caráter".

Atualmente, ética significa estudo da moral. Portanto, temos: moral é relativo às regras e aos costumes de uma sociedade e ética é o estudo dessas regras e costumes. Por exemplo, roubar é imoral, pois infringe-se uma regra, e é antiético, pois você pode prejudicar a vida de outrem. Parecem iguais, não? Mas se você, por exemplo, passar um recado que prejudicará outrem, essa situação é antiética, pois você agiu de forma descuidada com essa pessoa, mas não é uma situação imoral, pois não existe nada dizendo que você não pode passar recado, a não ser sua consciência. O que diferencia ambos? Podemos encontrar a resposta se identificarmos com o que exatamente esses conceitos estão preocupados: a moral, com o que é certo ou errado; a ética, com o bem e com o mal. Por isso, eu disse: sejamos pessoas éticas, não morais. Um moralista que é preso somente às regras, sem se preocupar em interpretá-las, pode agir, e muitas vezes é isso o que acontece, de forma antiética. O que é bem ou mal depende muito da situação, e é isso o que importa, na minha opinião, questionar. Uma criança que furta comida para se alimentar em um mercado, com certeza agiu de forma imoral, contudo, até que ponto ela agiu de forma antiética? Considerando que o faturamento anual do setor de supermercados chegou a R$272 bilhões em 2013, e que as perdas nesse comércio, cuja maior parte é por vencimento da validade ou manuseio inadequado, são de 5,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Supermercados, eu não acho essa atitude antiética. O que é R$10,00 R$20,00 ou R$100,00 para um desperdício de R$5,3 bilhões? Agora, os supermercados ou o responsável por isso, deixarem R$5,3 bilhões de riqueza produzida pela sociedade, e riqueza que pode sanar a fome muitas pessoas, simplesmente serem perdidas, para mim isso é antiético, pois afeta a vida de milhões de pessoas, mas de forma alguma é imoral. Nessa situação, minha interpretação ética extrapolou a regra e procurou o bem e o mal nas situações. Nem sempre o mal é errado, por isso devemos ser éticos.

     Voltando à situação do economista, a ética diferencia os profissionais que trabalharão pensando no bem DE TODOS daqueles que, na sua ávida busca pelo lucro, passarão por cima de tudo para conseguir atingir seus objetivos. Infelizmente, muitas vezes, esses economistas não agem de forma imoral, pois a lei foi criada para proteger aqueles com poder. Porém, isso não é o foco no momento. Bem, esse raciocínio não deve se limitar aos economistas. Todo profissional, na minha visão, deve agir eticamente. Sem isso, nossa sociedade não seria sustentável, uma vez que quem é antiético costuma agir em benefício próprio, de forma a tentar se sobressair sobre os demais. Uma generalização de atitudes antiéticas causaria uma ineficácia no intuito de quem extrapola os limites do bem e do mal: se todos agirem de maneira a sobressair-se, ninguém se sobressairá, porque todos estarão no mesmo patamar, em um ambiente demasiadamente estressante, competitivo e injusto.

     Portanto, devemos sempre procurar o caminho da ética, uma vez que, sem ela, o mundo não se sustentará.

     Bom pessoal, espero que tenham gostado! Nos vemos em breve!



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